Por Gil Giardelli: “O cateto da hipotenusa e os tempos pós-normais”

Como membro do World Futures Studies Federation (WFSF), um grupo dedicado a aconselhar a Unesco, estudar o futuro e pensar soluções para o planeta, os tempos que vivemos são tempos pós-normais. Ele carrega nos ventos da revolução três palavras: contradições, complexidade e caos. 

Alguns acreditam, que construir um tobogã no meio da empresa é torná-la inovadora.

São tempos que pessoas mudam de emprego, sem mudar de empresa, vivem um choque de gerações entre os menos de 30 anos e os mais de 60 anos, todos cocriando ou brigando nas empresas.

Tempos que lançamos um foguete no espaço com a mensagem nas peças “Feito no planeta Terra, por seres humanos. Ou na Universidade de Oxford que o “Ghost Club” do século XIII, um grupo de estudos sobre espíritos e vida pós a morte se torna a grande sensação do campus.

Sussurram pelos labirintos corporativos Quarta Revolução Industrial, Destruição Criativa, Inovação Disruptiva, Era Cognitiva, e dos Makers, Mundo Vuca, Blockchain, Hackaton, Cocriação, Computação Quântica, Exploração Espacial e outras tantas tendências exponenciais.

E aposentam os velhos modelos de negócios da “eficiência operacional” de Adam Smith, planta automotiva de Henri Ford, GM, de Peter Drucker, Análise SWOT, cinco forças de Michael Porter já não cabem na Gestão da Inovação, Gestão da Mudança e Gestão do Futuro. 

Tempos da Humanoide Sophia e sua inteligência artificial, que ganha a cidadania da Arábia Saudita para ser a porta-voz da transição econômica, sai a economia do petróleo e entra a economia da inovação.

Mas, em tempos pós-normais, se começa a questionar sobre o motivo de na Arábia Saudita as mulheres não terem os direitos iguais aos homens. 

“Não se pode mudar o mundo sendo obediente. No mundo da inovação, do avanço científico e social. Esse território é dos desobedientes. Aqueles que não perguntam se devemos mudar e sim como mudar”. 

E no pensamento do Futuro, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e seu mantra “Seja desobediente”. Não se pode mudar o mundo sendo obediente. No mundo da inovação, do avanço científico e social. Esse território é dos desobedientes, aqueles que desafiam o astuto quo. Aqueles que não perguntam se devemos mudar e sim como mudar. 

Nesta economia Circular, Criativa e Compartilhada onde você Repensa o Passado, Reconsidera o Presente e Reimagina o Futuro? 

A Philip Morris cria uma campanha no Reino Unido “Um futuro livre de fumaças” para ajudar as pessoas a pararem de fumar. 

E afirma, construímos a empresa de cigarros mais bem-sucedida do mundo, com as marcas mais populares e icônicas do mundo.

Agora tomamos uma decisão dramática, estamos construindo o futuro do PMI em produtos sem fumo, uma escolha muito melhor do que o tabagismo.

A Nestlé lança na China um assistente de inteligência artificial para responder na casa das pessoas perguntas sobre nutrição personalizada. A gigante de alimentos, agora é uma empresa de tecnologia. Novas competições? 

A L’Oréal lança sua Internet das Coisas, um sensor projetado para colocar na unha, permitindo aos usuários rastrear suas exposições ao sol e combate aos riscos de câncer de pele. Novos mercados? 

Um banco europeu lança um cartão de crédito que ajuda os mares. Calcula o impacto do CO2 de cada transação e gera relatório mensal com perfil climático e custo do carbono, conforme definido pelo Banco Mundial. Sugestões de projetos para uma vida mais equilibrada.

Para pensar o futuro, você terá que investir em valores e propósito, inovação empírica, o fim da intermediação, Data Tsunami, educação de alto impacto, igualdade global. A lista é grande.

E você vai ter que ter tempo para como os romanos antigos, pensar em corpo sã, mente sã e alma sã.

“São tempos fabulosos, tempos de muito trabalho e de novas perguntas. Não podemos nos deixar ser seduzidos pelo operacional “

Na livraria da Universidade de Harvard, os livros em destaques e mais vendidos são uma série “O lado humano da vida profissional”, e quatro livros com os títulos “Felicidade”, “Resiliência”, “Mindfulness” e “Empatia”.

Em Nova York, o sucesso é o ônibus da meditação, com instrutores experientes, aromaterapia, cromoterapia, 30 minutos de “quebra de mente” para profissionais ocupados. 

Em Stanford, um dos cursos mais procurados é o Designer Your Life, como criar mundos e resolver problemas, usando o pensamento de design para construir carreira, vida pessoal criativa e produtiva.

São tempos fabulosos, tempos de muito trabalho e de novas perguntas. Não podemos nos deixar ser seduzidos pelo operacional.

Precisamos ter tempo para pensar e mudar sobre o que faremos com um mundo construído no pós Segunda Guerra Mundial? O que faremos com OMS, ONU, OMC, FMI, Banco Mundial, Basiléia? O que faremos com o cateto da hipotenusa que ensinamos aos pequenos alunos nas escolas tradicionais?

E o Brasil, precisar pensar qual seu projeto de futuro e de nação inovadora, somos o único país entre as 20 maiores economias que não tem um lugar apropriado para pensar o futuro da nação, independente de presidente ou linha política. Por exemplo, os EUA têm desde 1929.

É impossível fechar a conta de uma nação inovadora, enquanto estamos em 80º em Competitividade Global pelo Fórum Econômico Mundial,  98º posição no Global Entrepreneurship Index (GEI), 69º em Inovação pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual, ante penúltimo em eficiência empresarial e penúltimo em Eficiência Política pelo IMD Suíço.

Ou enquanto caímos no ranking da corrupção da Transparência Internacional de 69° em 2014 (que já era ruim) para 96° em 2017. No índice de desenvolvimento humano da ONU ocupamos a 79º posição.

 Será que a única luta que nos restou foi lutar pelo futuro?

Em tempo pós-normal é urgente o Brasil tomar decisões de futuro. Bem-vindo ao novo normal. Como disse o futurista William Gibson:  “O futuro já está aqui, está apenas distribuído desigualmente.”

Gil Giardelli é web ativista, estudioso de cultura digital, co-fundador da 5era, Gaia Creative e Humanoide Brasil. Colunista da Band News FM e Revista Você S/A e parceiro Institucional no MediaX de Stanford University.

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